UBS 1 do Lago Norte desenvolve projeto de agrofloresta medicinal

[Brasília] – O antigo espaço verde, sem uso e abarrotado de entulho, no terreno da Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 do Lago Norte, deu lugar, ao longo de nove meses, a um projeto de agrofloresta medicinal, criado pelo médico de família e comunidade Marcos Trajano.

O objetivo é trazer benefícios diretos à comunidade, cultivando plantas medicinais em uma produção comunitária, feita em um horto, ao mesmo tempo em que se promove o reflorestamento do local. Até o momento, são 200 metros de canteiros plantados, com potencial para cultivar um espaço de três quilômetros. Um exemplo de espécies que já estão no local são as plantas alimentícias não convencionais (Pancs), utilizadas na terapia nutricional.

“A ideia é montarmos um grande circuito de produção de medicamentos, mandar para o Cerpis [Centro de Referência em Práticas Integrativas em Saúde] e para as duas Farmácias Viva, que produzirão para a rede pública de saúde. Mas isso ainda é um embrião. No momento, temos cerca de 200 espécies aqui, e ainda precisamos catalogar mais”, conta Marcos.

Enquanto isso, tem sido planejada a oferta das Pancs, em parceria com o Cerpis, para pessoas atendidas na Unidade Básica de Saúde, com a finalidade de ajuda-las a ter uma alimentação mais balanceada. A equipe da UBS 1 está produzindo plantas aromáticas e medicinais, já utilizadas no dia a dia da unidade.

VANTAGENS – Para Trajano, uma das grandes vantagens da agrofloresta é conseguir ordenar os espaços verdes de tal modo que seja possível tornar a ambiência da UBS mais aprazível e saudável, tanto para os usuários como para os profissionais de saúde que atuam nela.

“Por utilizamos restos de galhos e folhas como adubo, elas deixam de ser resíduos e passam a ser recursos. O manejo das áreas verdes promove a higienização desses espaços. Um exemplo é uma caçamba de entulho colocada aqui perto, que levava as folhas e galhos que entupiam os bueiros. Ela ficou praticamente inútil depois do projeto. Esta é só uma das vantagens”, reflete.

ATIVIDADES – Segundo Trajano, a intenção é que o projeto promova, além da saúde física, o desenvolvimento pleno do ser humano. Por isso, também contempla a introdução de algumas Práticas Integrativas de Saúde (PIS), como Yoga e Tai Chi Chuan, além do Jardim Sensorial, com espécies aromáticas e ornamentais.

Outro ponto positivo são as oficinas, oferecidas à comunidade todas as quintas-feiras. A mais recente ensinou sobre o manejo da agrofloresta medicinal.

Uma das pessoas presentes ao encontro foi a aposentada Ana Rebeschini, moradora do Lago Norte. Aos 70 anos de idade e com um facão na mão, ajudou a podar bananeiras e cortar folhas para fazer adubo. “Já trabalhei com manejo de sistemas agroflorestais e sou apaixonada por esse tema. É necessário mostrar à população que há outras formas de tratamento e medicamentos, e o trabalho nesta UBS é uma vitrine muito importante para isso”, elogiou.

Outro que se agradou da iniciativa foi Alencar Kos, 24 anos, estudante de Ciências Ambientais. Como mora perto da UBS 1 do Lago Norte, passa próximo a ela quase todos os dias. “Sempre foi um terreno cheio de mangas e sem uso. Agora, se transformou em uma oportunidade de desenvolver medicamentos e ensinar mais às pessoas sobre as plantas. Enriqueceu muito o espaço”, comemora Alencar, que ajudou a preparar os canteiros.

PROGRAMAÇÃO – As próximas oficinas, sempre às quintas-feiras à tarde, a partir das 13h30, trarão uma especialista em Gastronomia para falar sobre chás medicinais, no dia 14 de fevereiro; uma pediatra, especialista em Nutrição, em 21 de fevereiro; e no dia 28, um professor de Física e Fenomenologia, da Universidade de Brasília (UnB), vai ensinar a técnica de observação fenomenológica de plantas – utilizada como recurso complementar para tratar agravos de saúde mental, como autismo, depressão, ansiedade, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), dentre outras.

Leandro Cipriano, da Agência Saúde
Fotos: Mariana Raphael/Saúde-DF

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