Saúde convoca população a se vacinar contra febre amarela durante as férias e antes do Carnaval

[São Paulo] –  A Secretaria de Estado da Saúde está convocando todos os paulistas a se vacinar contra a febre amarela, caso ainda não estejam imunizados. Moradores de qualquer região de SP devem se prevenir contra a doença, sobretudo aqueles que residem ou visitam áreas com vegetação densa. A vacina, que está disponível na rotina dos postos da rede pública de saúde, deve ser tomada dez dias antes de viagens e/ou deslocamentos a áreas de mata para proteção efetiva.

A diretora do CVE, Regiane de Paula explica: “A imunização é a principal forma de prevenção contra a doença. O período atual é pré-sazonal, e a sazonalidade da doença vai de dezembro a maio. Por isso, é importante que as pessoas ainda não vacinadas procurem os serviços de saúde”.

Nesta semana, foram confirmados cinco casos silvestres da doença, adquiridos no Vale do Ribeira – quatro na cidade de Eldorado e um em Jacupiranga. A região é visitada especialmente durante o verão, pois possui diversos pontos turísticos com vegetação densa, como a chamada “Caverna do Diabo” e o PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira). Ações de vacinação casa a casa estão sendo programadas em conjunto com as Prefeituras, inclusive em comunidades quilombolas, para alcançar pessoas ainda não imunizadas. No decorrer desta semana, ocorre também a captura de mosquitos (pesquisa entomológica) por técnicos da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), para análise da presença do vírus nos vetores.

Estar imunizado é fundamental para os que moram ou pretendem se deslocar para áreas de mata e cachoeiras. “Aos que tomarem a vacina em período inferior a dez dias a viagens com esse perfil, recomendamos que evitem adentrar áreas verdes e usem repelentes e roupas compridas e de cor clara para reforçar a prevenção”, afirma a diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato.

Em todo o Estado, a cobertura vacinal contra febre amarela é de 65%, em média, com variação entre as regiões. Na Baixada Santista, o percentual é similar. No Vale do Ribeira, a cobertura é de 66%. No Vale do Paraíba e Litoral Norte, de 85%. Todas essas regiões têm ações de imunização em curso desde o início de 2018.

Atualmente, todo o Estado tem recomendação da vacina, devido à circulação do vírus, e as pessoas não imunizadas devem receber as doses. A vacina é indicada para pessoas a partir dos 9 meses de idade. Devem consultar o médico sobre a necessidade da vacina os pacientes portadores de HIV positivo e transplantados. Não há indicação de imunização para gestantes, mulheres amamentando crianças com até 6 meses de idade e imunodeprimidos como pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico ou com corticoides em doses elevadas (como por exemplo Lúpus e Artrite Reumatoide).

Desde 2016, a Secretaria intensificou as ações de enfrentamento da febre amarela no Estado, por meio de monitoramento dos corredores ecológicos, vigilância epidemiológica e vacinação. Além do reforço nas estratégias em locais que convencionalmente estavam no mapa de imunização, as áreas com indicação da vacina foram gradativamente ampliadas antes mesmo da chegada do vírus. Isso ocorreu na Região Metropolitana de Campinas e Rota dos Mananciais, ainda em 2017, bem como a realização da campanha no início de 2018, que abrangeu 54 municípios da Baixada Santista, Vale do Paraíba e Grande ABC, culminando na totalidade do Estado.

“A febre amarela não é contagiosa de uma pessoa diretamente para outra, como outras doença como gripe, sarampo, caxumba e outras doenças infecciosas. Para doença passar de uma pessoa para outra precisa de um vetor, que no caso da febre amarela é silvestre, está nas matas”, explica o infectologista Prof. Marcos Boulos, coordenador do Centro de Vigilância Epidemiológica.

“Neste Carnaval, vou para região do Vale do Ribeira com toda minha família, por isso já vacinamos as crianças, eu e meu marido”, conta Paula Helena Amorim, jornalista e moradora do bairro da Pompeia, em São Paulo.

Balanços

Nos últimos dois anos, mais de 15 milhões de pessoas foram vacinadas contra a febre amarela no Estado. O número é duas vezes maior que o vacinação da década anterior, com 7 milhões de pessoas imunizadas entre 2006 e 2016.

De acordo com balanço divulgado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica, em 2018, houve 503 casos de febre amarela silvestre confirmados no Estado e 176 deles evoluíram para óbitos. Em relação às epizootias, 259 macacos tiveram confirmação da doença no ano passado.

Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942.

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