Saúde alerta para vacinação contra febre amarela para quem vai ou mora no Vale do Ribeira

[São Paulo] – A Secretaria de Estado da Saúde alerta a população residente e os visitantes do Vale do Ribeira a se vacinar contra a febre amarela, caso ainda não estejam imunizados. A vacina deve ser tomada dez dias antes de viagens e/ou deslocamentos a áreas de mata para proteção efetiva.

“As pessoas costumam fazer ecoturismo no Vale do Ribeira, onde tem cavernas. Temos uma faixa de beira mar muito grande e parece que está distante da mata, mas não está tão assim. De alguma maneira, as pessoas acabam se deslocando para uma área de risco”, disse Regiane de Paula, diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato.

O Vale do Ribeira tem diversos pontos turísticos com vegetação densa, como a chamada “Caverna do Diabo” e o PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), visitados especialmente durante o verão. Portanto, quem pretende ir a esses destinos, deve se vacinar. Ações de vacinação casa a casa estão sendo programadas em conjunto com as Prefeituras, especialmente em comunidades quilombolas, para alcançar pessoas ainda não imunizadas. No decorrer desta semana, está ocorrendo também a captura de mosquitos (pesquisa entomológica) por técnicos da Sucen, para análise da presença do vírus nos vetores.

No Vale do Ribeira, as ações de imunização contra a febre amarela têm ocorrido desde o início de 2018 e a cobertura vacinal é de 66%, até o momento.

Estar imunizado é fundamental para os que moram ou pretendem se deslocar para áreas de mata e cachoeiras. “Aos que tomarem a vacina em período inferior a dez dias a viagens com esse perfil, recomendamos que evitem adentrar áreas verdes e usem repelentes e roupas compridas e de cor clara para reforçar a prevenção”, afirma a diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato.

Todo o território paulista tem recomendação da vacina, devido a circulação do vírus. As pessoas não imunizadas devem receber as doses, que estão disponíveis na rotina dos postos de vacinação. A vacina é indicada para pessoas a partir dos 9 meses de idade. Devem consultar o médico sobre a necessidade da vacina os pacientes portadores de HIV positivo e transplantados. Não há indicação de imunização para gestantes, mulheres amamentando crianças com até 6 meses de idade e imunodeprimidos como pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico ou com corticoides em doses elevadas (como por exemplo Lúpus e Artrite Reumatoide).

Desde 2016, a Secretaria intensificou as ações de enfrentamento da febre amarela no Estado, por meio de monitoramento dos corredores ecológicos, vigilância epidemiológica e vacinação. Além do reforço nas estratégias em locais que convencionalmente estavam no mapa de imunização, as áreas com indicação da vacina foram gradativamente ampliadas antes mesmo da chegada do vírus. Isso ocorreu na Região Metropolitana de Campinas e Rota dos Mananciais, ainda em 2017, bem como a realização da campanha no início de 2018, que abrangeu 54 municípios da Baixada Santista, Vale do Paraíba e Grande ABC, culminando na totalidade do Estado.

Balanços

Nos últimos dois anos, mais de 15 milhões de pessoas foram vacinadas contra a febre amarela no Estado. O número é duas vezes maior que o vacinação da década anterior, com 7 milhões de pessoas imunizadas entre 2006 e 2016. Atualmente, a cobertura vacinal em SP é de aproximadamente 65%, em média, com variação entre regiões. Moradores de todos os locais devem ser imunizados, sobretudo aqueles que residem ou visitam áreas com vegetação densa.

De acordo com balanço divulgado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica, até o dia 3 de dezembro, houve 503 casos de febre amarela silvestre confirmados no Estado e 176 deles evoluíram para óbitos. Desse total, ocorreram no Vale do Ribeira 23 casos e 7 óbitos. Na Baixada Santista, foram 5 casos e 3 mortes.  Em relação às epizootias, neste ano, 259 macacos tiveram confirmação da doença, sendo dois no Vale do Ribeira (em Juquiá e Pedro de Toledo) e dois na Baixada (Itanhaém e Peruíbe).

Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942.

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