Hospital César Cals usa plasma em tratamento de feridas

Duas vezes por semana, o comerciante José Pereira da Silva vem ao ambulatório do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), da rede pública do Governo do Ceará, onde é acompanhado no serviço de Estomaterapia, para o tratamento de pé diabético, problema causado por uma ferida que não cicatriza e infecciona, tornando-se uma úlcera diabética. Isso acontece por problemas circulatórios. Dessa maneira, o diabetes afeta a circulação devido ao estreitamento das artérias, dificultando tanto a oxigenação, quanto a nutrição dos tecidos.

Um novo tratamento, realizado pelo serviço de Estomaterapia faz o uso de plasma sanguíneo, rico em plaquetas, para o tratamento de feridas é mais uma ação aliada para proporcionar melhorias aos pacientes com pé diabético. A aplicação do plasma é feita uma vez por semana. Além disso, é realizada também a limpeza e troca do curativo biológico. “O tratamento pretende estimular o organismo à regeneração orgânica das lesões tanto na ferida, quanto nas terminações nervosas”, explica Ricardo Oliveira Lima, enfermeiro estomaterapeuta.

Os problemas do seu José Pereira tiveram início em agosto de 2017, quando surgiu uma bolha no pé e evoluiu para uma ferida mais grave. Ele foi levado para um hospital de Fortaleza, onde ficou internado, e em seguida transferido para a Unidade de Terapia Intensiva do HGCC, por conta da infecção. Foram mais de três meses de internação. Quase que o pé do paciente precisou ser amputado para evitar problemas ainda mais graves. Com a perspectiva do tratamento com o plasma sanguíneo, a intervenção não foi mais necessária.

“Com esse tratamento, eu estou bem melhor”, afirma seu José Pereira. Assim como ele, outros pacientes iniciaram os cuidados com a aplicação de plasma e já relatam melhorias, principalmente em relação à recuperação da sensibilidade. “Já percebemos com o tratamento a possibilidade de reverter a neuropatia diabética o que vai influencia na qualidade de vida do paciente, recuperando a sensibilidade, além da redução de dores e sangramento”, confirma Ricardo Oliveira.

De acordo com a enfermeira Amelina de Brito Belchior, para que a utilização do plasma fosse possível, foi necessário validar todo o tratamento, desde a coleta de sangue até a aplicação. Esse processo durou mais de seis meses no laboratório do HGCC, com a realização da adaptação de protocolos, rotinas e ações de acordo com a literatura clínica especializada.  Somente depois de tudo isso é que o tratamento passou a ser utilizado.

“É feita a coleta de sangue do próprio paciente, em torno de 30 ml, que é levada para o laboratório. Lá é realizada a centrifugação e, em seguida, a coleta da porção rica em plaquetas. Essa porção é aplicada diretamente na lesão”, esclarece Amelina, que está desenvolvendo uma pesquisa para a especialização em relação ao tratamento disponível no HGCC. É essa porção que possui fatores de crescimento, como fibroblastos e citocinas anti-inflamatórias, que ajudam na cicatrização e regeneração dos tecidos orgânicos.

Esse mesmo tratamento, de acordo com a equipe de Estomaterapia, é utilizado mais pelos dentistas, em alguns procedimentos, em cirurgias de estética e ortopédica. No serviço público ainda não é utilizado, especialmente o uso em feridas, inciado pelo HGCC e o único a fazer uso da técnica. Início desde fevereiro de 2018.

Fotos: Assessoria de Comunicação do HGCC

Assessoria de Comunicação do HGCC
Wescley Jorge

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